Como tudo começou?

Comecei a fazer aulas de dança do ventre em 1998 na UnB. Minha 1ª professora foi a Shakti (Renata Carvalho), que tempos depois se tornou minha parceira de dança.
Uma amiga bem próxima começou a fazer as aulas e insistiu muito pra que eu fosse também. Por fim, ela me venceu por cansaço. “Tá bom, eu vou, mas esse negócio não é pra mim...”
As primeiras aulas foram uma tortura. Eu não tinha habilidade nenhuma e achava tudo delicado demais, feminino demais. Quando criança me recusei a fazer balé, fiz ginástica olímpica, joguei basquete. Balé era coisa de menina fresca. Ah, se eu soubesse....esse balé já me fez muita falta. Alem de tudo, eu tive uma adolescência gótica. Andei de coturno dos 15 aos 20 anos, ouvindo punk rock, new age e hard core. De repente eu só ouvia música árabe e tentava me equilibrar em cima de um scarpin dourado.
Mas a Renata era uma fofa e aquele universo começou a fazer todo sentido pra mim. As músicas, as roupas, moedas, véus e afins. E sem me dar conta, de repente, eu estava completamente apaixonada por tudo aquilo. Lembro do cheiro da sala, da saia indiana que eu usava na aula, das músicas do meu baby class.
Ficava ansiosa pra chegar a próxima aula, empolgada quando a Renata ensinava um movimento novo e radiante quando finalmente conseguia executá-lo.
A dança do ventre ainda era muito recente em Brasília. Vinha tudo de São Paulo, que ainda é a nossa capital da dança do ventre. Música era o mais complicado. Usávamos fitas cassete que as professoras gravavam e cds do Tony Mouzayek.
Aprendi a dançar o básico muito rápido. Estudava sozinha. Dançava em casa todos os dias. Comprava fitas de vídeos e fazia todos os workshops das professoras de fora.
Com um ano de dança comprei minha 1ª espada. Assistia ao vídeo da Nájua e tentava copiar tudo. E foi assim com a bengala, taças e tudo mais. Em sala de aula só aprendi o véu e os snujs.
Tenho muita saudade daquele tempo. Tudo era novidade. Sempre que uma aluna pergunta quanto tempo demora pra aprender e reclama que não dá conta de fazer isso ou aquilo. Mas na verdade o melhor da viagem é o caminho. Estes primeiros meses de aprendizado são inesquecíveis, repletos de desafios, superações e realizações.

Comentários

Amura Zahra disse…
Ai deos...eu não tenho muita paciência pra ler esses estorias loooongas não! rararara...
mas teu blog tá lindo trem!
Vamos futricarrr! e não deixa de postar nele;)
Beijos beijos

Postagens mais visitadas